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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Mais sugestões de bibliografia

Textos: 
“De que vive un artista” (já postado no blog)
Texto de Caetano Veloso sobre polêmica acerca do blog com participação de Maria Bethânia.
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/03/27/caetano-veloso-sai-em-defesa-de-maria-bethania-na-polemica-sobre-blog-924098835.asp

Textos de editais ou de propostas dos projetos sociais que envolvem ação artística em Salvador.

Livros:
1.    “Universos da Arte” de Fayga Ostrower.
"Didático, analítico e também contemplativo, este texto representa uma contribuição original para a compreensão da arte. Procedendo em vários níveis, a autora expõe os princípios fundamentais de composição ao mesmo tempo em que relata uma experiência fascinante: a de um curso teórico ministrado a operários de uma fábrica, transcrevendo diálogos e questionamentos que surgiram nas aulas. Além disso, numa visão global da arte como experiência de vida, ela examina os significados do trabalho artístico. Apresentando dados biográficos de artistas e uma análise crítica de suas obras (fartamente ilustradas) - e usando como critérios objetivos os próprios princípios da linguagem visual - ela mostra como nas obras se revela claramente o crescimento da personalidade do artista, sua figura humana. Através da leitura deste livro somos levados a entender o quanto a arte amplia nossa sensibilidade e nossa consciência."
2.    “Ensaios sobre a Fotografia” de Susan Sontag
3.    Tese de doutorado de Isa Trigo, “No pulso do ator: treinamento e criação de máscaras na Bahia”

terça-feira, 12 de julho de 2011

Sugestões bibliográficas

  • D' AVILA, Cristina. Ser professor na contemporaneidade: desafios, ludicidade e protagonismo. 1ª edição. Curitiba: Ed. CRV, 2009.
  • RUBIM, Albino. Políticas culturais, entre o possível e o impossível.
  • HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

2ª sugestão de bibliografia


ARTE, por Bené Fonteles*

O início de um novo século e milênio exige uma reflexão mais apurada do que o ser humano realizou – entre três grandes guerras – de mais inteligente e sensível: sua Arte. Esta herança de uma Arte de resistência feita no começo do século XX – por mestres como Marcel Duchamp, Man Ray, Erik Satie, Paul Klee, Kasimir Malevitch, Stravinsky, Piet Mondrian, Brancusi, Debussy, Picasso, Schoenberg, Miró, Ravel, Kandinsky, Mahler, Nicholas Roerich e um pouco mais tarde por Alexander Calder, Joseph Beuys, Stockhausen, Luciano Berio, Yves Klein, John Cage, Hundertwasser e Jackson Pollock -, perde seu caminho e entra em crise afundando no pós-nada de um "modernismo" oco.

Além de celebrarem suas vidas com Arte e prazer, alguns destes artistas, apesar da dor de entre-guerras, viveram numa Europa que assaltou, destruiu por inveja e desprezo as grandes civilizações dos egípcios e persas, maias e aztecas, yorubás e nagôs, navajos e sioux, tupis-guaranis… Apesar disso, essa senhora Europa, decadente e culta, também nos lega – através da influência que estas culturas causaram em sua "civilização" – uma Arte da busca de síntese, encontro e, em alguns casos, de essência.

Toda essa tradição é então recriada – vide as coleções de arte africana e ameríndia nos ateliês de artistas importantes do movimento cubista – não só por europeus ou norte-americanos, mas também de latinos importantes no processo cultural que beberam visceralmente na alma popular e a transcenderam: Torres Garcia, Tarsila do Amaral, Ismael Nery, Guignard, Diego Rivera, Rufino Tamayo, Wilfredo Lan, Volpi, Le Parc, Jesus Soto e os contemporâneos como Rubem Valentim, Hélio Oiticica, Regina Valter, Amélia Toledo e as duas Lígias: Clark e Pape. Artistas que nos honram, não só com sua reflexão estética, mas também por suas buscas de uma identidade e de um sonho de pensar e fazer uma América com a universalidade e um projeto utópico e poético de futuro.

Eu pergunto: o que os artistas ditos contemporâneos, principalmente europeus e norte-americanos com sua arte para consumo estético, catastrófica e sem apontar esperanças, propõem para um projeto construtivo e humanista no século XXI?

Tenho sérias dúvidas sobre alguma resposta coerente e substancial quando visito as exposições e vejo apenas um deserto de idéias e ideais. Viajo só e felizmente por este país que antropofagicamente por natureza, e, infelizmente por ignorância e insegurança, come com exagerada gula, sardinhas enlatadas da cultura oficial: mídias e curadorias internacionais. E, para fomentar inclusões e aprovações de projetos, precisa fazer mais lobby do que vivenciar um verdadeiro processo criativo.

Este também é o Brasil da política dos subsídios econômicos incentivados pela cultura quase mercadológica do seu Ministério da Cultura e não, o da poética dos substratos culturais vindos da dinâmica criadora de seu povo. É um país em que seus agentes sensíveis, os artistas, esquecem de cantar sua aldeia, e, por assim não interpretá-la, questioná-la e argüí-la, deixam de ser universais. Macaqueando a sintaxe globalizada e uniformizada, eles produzem obras para solitários ambientes museológicos, em vez de gerarem solidárias e responsáveis proposições e transgressões da realidade por meio do re-encantamento poético do humano e de seu mundo.

Resta uma solidão ampliada em meio de uma crise sem oportunidade de criar uma Arte como propunha Joeph Beuys em seu "Manifesto por uma alternativa global", a mesma humana e ecológica que Rubem Valentim sonhava com seu "…ainda que tardio" nos mostrando um "sentir brasileiro e universal". Ambos foram escritos na década de 70, quando ainda era possível se ter atitudes independentes, corajosas e coerentes.

Depois veio a era yuppie com toda a ilusão de seu pó a contaminar a consciência e construir espelhos para o ego e não espaços dignos de reflexão contra a violência gerada pela falta de respeito à diferença, contra a falta de afeto e o não pertencimento à ecologia da Terra. Muitos artistas interessantes caíram nessa armadilha, até mesmo os que ainda dialogavam experimentalmente com a Vida através da Arte e não da pressa voraz do mercado.

Aonde está uma Arte feita com as necessidades do espírito e a vontade visceral do prazer e não com as próprias vísceras, excrementos e outros elementos brutos para satisfazer a mera "sensation"? Para que chamar mais atenção da mídia, de colecionadores e "curadores" esdrúxulos e oportunistas do que da nossa necessidade real de educar a sensibilidade? Por que então não investir em afinar sensorialmente a consciência sensível de um público carente de agentes transformadores e transmutadores da realidade?

É precioso ler com atenção "O conceito ampliado de Arte" de Joseph Beuys, no qual referindo-se ao "princípio criativo", exige uma melhor forma de pensar, acuidade no sentir e verdadeiros critérios estéticos para nortear uma obra de Arte e seu papel na comunidade. E para isso o artista não precisa ter só uma inteligência criativa, é também necessário ter princípios filosóficos, éticos e espirituais.

Por que produzir uma arte só para a sensação dos sentidos quando o discernimento da mente e da alma nos pede mais responsabilidade com a matéria, a palavra, o pensamento e a obra?

O que a Arte nos exige é um exercício sensitivo e intuitivo para uma nova forma de perceber, estar e pertencer ao Mundo, aquele que neste novo milênio se prepara para compreender as outras dimensões que a ciência já experimenta ou visiona.

Albert Einstein não estava brincando com o acaso quando disse que "Deus não joga dados". Até alguns executivos já sabem disso e percebem as extensões sutis e infinitas do despertar para uma mente não só ocasional e objetiva, mas consciente de um projeto incondicional de libertação. Por isso meditam e lêem livros sobre a nova ética escritos por Tenzin Gyatso, o Dalai Lama, Fritjof Capra ou Leonardo Boff. Enquanto isso, muitos "artistas ingênuos" e desinformados sobre o novo paradigma, lêem teorias acadêmicas sobre o vazio do vazio. Pior, pensam e agem com o egoísmo de uma arte individualista, esteticista, antiecológica e perversa em sua utilização da matéria orgânica. É preciso perguntar a pedra ou a uma árvore – como faziam nossos ancestrais do oriente – para saber o que elas querem ser, e não impor uma forma a suas matérias luminosas e inteligentes. Como artistas, somos também alquimistas e nos cabe recordar o que custou a Van Gogh o fato de descobrir que sua vida era a Arte, e, que a matéria de sua pintura era luz e energia.

Essa mesma energia parece que iluminou a cidade de São Paulo no ano de 2000, quando assistiu uma das mais sadias manifestações de cidadania cultural da classe teatral invadindo e legitimando espaços públicos com seu manifesto "Arte contra a Barbárie". Os questionamentos e perguntas eram os mesmos a que já me referi e ainda outros:

- Que arte é essa onde o "curador", produtor e atravessadores culturais, são mais importantes do que a concepção e o sacro-ofício dos artistas?

Eu insisto: que espécie de seres são estes que deixam-se guiar mais por teorias estéticas pensadas na academia do que por suas intuições e vivências solidárias e responsáveis com o povo do seu país, a Natureza e a universalidade do planeta?

– Que arte é essa que agora não mais procura o "exercício experimental da liberdade" como nos desejava Mário Pedrosa e que não mais transgredindo o sistema, ainda se põe respaldada pela mídia e pela academia a serviço dos vícios da indústria do entretenimento cultural?

Para que serve esta arte: Que vira fetiche e curiosidade quantitativa do jornalismo em vez de inspiração privilegiada para o exercício sadio da crítica nos caderno culturais? Que é mero resultado fácil de mercado e "produto cultural" em vez de engrandecimento, instrumento de evolução da inteligência subjetiva e ascensão do espírito humano?

Portanto, eu quero como um revolucionário embora tardio, sacudir nossas atitudes viciadas em projetos de vida aprovados pela Lei de Incentivo à Cultura. E, por mendigarmos patrocínio nas empresas, que aliviam seu ônus econômico e às vezes até sua consciência pelo que prejudicam à saúde humana ou exploram e poluem indevidamente os recursos naturais. Tudo isso, muitas vezes para realizar mais uma exposição vazia, mais um cd sem amor à música, mais um teatro absurdo sem serviço à consciência planetária ou mais um balé para dançar narciso.

Enquanto isso, a realidade nos dá um tapa nada sutil em nossa casa sem-vergonha, e nos pede na rua: comida com algum amor e roupa para se vestir da coragem de alguma cor inocente. Sim, amor, coragem e inocência não é bem o que espreita nossa omissão nas esquinas do mundo. E não adianta subir e blindar os vidros pensando que é só violência. Nada oculta nossa vida ferida em sua dignidade pela ferrugem do medo e do silêncio.

Assim, eu quero que a lembrança viva do fazer humanístico cultural e revolucionário, concilie a diversidade entre seres pares e díspares como Kasturbai&Gandhi e John&Yoko, Thereza de Calcutá e Guevara, todos felizmente ainda nos assombrando. Quero que eles nos inspirem alguma vontade de resistência política e persistência espiritual que o século XX apesar de tudo, deixou como a mais bela herança. Mas, tenho receio que o humanismo virtuoso duramente conquistado com o aval – e até a morte – de tantas vidas, se perca nos vãos de uma tecnologia virtual, destrutiva e consumista que explora os recursos naturais da Mãe Terra de forma tão desumana e cruel.

Por isso, eu desejo uma sabedoria que abandone a pretensão acadêmica de querer salvar o Mundo com o projeto inútil do acúmulo do conhecimento, em vez de querer a redenção da Terra pela nudez imensa da simplicidade do saber popular e natural. Eu amo a Arte que quebra os vidros da impotência e derruba os muros do medo ou que se desilude com seus próprios limites.

É preciso amadurecer, saindo dessa adolescência burra e não ter medo de tocar o próximo com afeto e respeito pela diferença. Mais vasto é o medo de assumir nossos talentos políticos e poéticos com a vontade entusiasmada de dizer sempre um colorido SIM nesta sala negativa (João Cabral). Falta também a coragem tão humana de reprogramar a mente positiva para a Arte de ser feliz, claro e belo, e sabendo disso, compartilhar nestes tempos de voluntariado: generosidade e abundância…

Nossos ancestrais Maias diziam em seus códices que TEMPO É ARTE. Essa é uma grande dica para empresários e artistas. E, como o ato de criação já é em si um ofício de doação e amor, eu acrescento: ARTE CURA!

Frei Betto nos inspira quando diz: "É uma exigência de nossa saúde espiritual cultivar a subjetividade como o artista esteticamente febril diante de sua obra, o profissional encantado com seu projeto, o militante guevarianamente empenhado em sua luta, a jovem apaixonada, o místico tocado pelo amor de Deus. São estados de plenitude e felicidade". O franciscano nos fala de uma exigência e uma falta de "plenitude e felicidade" similar a que Beuys nos avisava ao dizer em seu manifesto que "esta é a razão da crise". Ela, a tao[1] da crisis, apontando raras oportunidade de mudança e transcendência, persiste nos fazendo perguntas intrigantes e nos exigindo uma resposta urgente e à altura do nosso amor à liberdade.

É preciso exercitar com humildade o poder precioso de nosso livre-arbítrio na responsabilidade solidária com a Vida. Ou, todos faremos papel de passivas vítimas da barbárie globalizada.

Tudo o que nos resta é recuperar a dignidade de ser artista e estar habitado pela grandeza de se expressar como um cidadão incomum, indignado com a miséria que cria o estado de sobrevivência para os sem terra e esperança, os sem teto e alegria.

Agora é a hora dos ARTIVISTAS[2], mixagem de ativista político com o artista poético, e vice-versa, despertarem o acomodado brasileiro que dorme no berço esplêndido da inconsciência nacional. O ARTIVISTA é aquele que vai dignificar sua escolha de ter vindo neste momento ao planeta e ao lembrar-se da sua Origem, exigir o melhor de sua herança Divina: a felicidade. Nós merecemos uma Arte que nos inspire a um projeto mais humano e pacífico em nossa passagem de aprendizes da Terra.

*BENÉ FONTELES, Coordenador do "MOVIMENTO ARTISTAS PELA NATUREZA".

Brasília, 21 de abril de 2001 / Dia dos Inconfidentes. Escrito para a ocasião do Encontro Mundial Arte e Identidade Cultural na Construção de um Mundo Solidário/ São Paulo, abril-maio de 2001.



[1] É um conceito muito antigo, adotado como princípio fundamental do taoísmo, doutrina fundada por Lao Zi. Quer dizer o todo, o uno.

[2] Fusão das palavras Artista e Ativista.

3ª sugestão de bibliografia

Artigo - ECOLOGIA NA RELAÇÃO ARTE-NATUREZA de Neide Pelaez de Campos e


Flávio de Carvalho - Um Transgressor da Ordem

1ª sugestão de leitura para a bibliografia do curso.É um pequeno artigo do professor Almandrade que foi publicado na revista Chão de arquitetura Nº3.

Obs: Só clicar nas imagens para ampliar.



quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sugestão de leitura: ¿De que vive un artista?

Primeira sugestão de leitura para bibliografia do curso. Mesmo sendo em espanhol, achei que valia a pena mostrar aqui. Posso tentar fazer a tradução depois.


Por Lucas Ospina


Un artista vive de la renta, de alguna renta, por ejemplo de un inmueble heredado que produce una suma fija mensual. Un estudiante se pagó la costosa matrícula de una universidad privada con el producto de un local que le tenía alquilado a un cine-bar, lo que los asistentes gastaban en boletas, cócteles y crispetas él lo reinvertía en arte. En otros casos las rentas vienen de lo que producen las acciones en un negocio familiar. Una generación trabajó, otra hizo fortuna y la última, la generación artista, se gastó la plata. Dos hermanos, uno actor y otro cineasta, vivieron durante mucho tiempo del producto de la renta que producía la fábrica de piscinas fundada por el padre y administrada por el primogénito, un ingeniero igual de excéntrico a sus hermanos menores pero que debió conducir su artisticidad por el cauce señalado por el padre.

Otro artista a la muerte de su padre recibió una gran fortuna como herencia, ante lo que su mejor amigo, otro artista, dijo que era él quien había pasado a mejor vida.

Otro artista vive de un negocio. Cada quince días hace el viaje de la capital a su pequeña ciudad natal donde tiene una miscelánea que mantiene surtida de prendas y adminículos para jóvenes, cosas pasadas de moda en la gran ciudad pero que son novedad en la provincia. El artista dice con orgullo que es él quien define las tendencias de la moda en la pequeña ciudad. Otro artista puso un restaurante y se le incendió, otro montó el restaurante que lo hizo tan reconocido como chef que cuando dice que también es artista la gente se sorprende.

Otros artistas optan por el diseño y montan empresa, les va bien, son prueba de que en diseño más que estudio se necesita de práctica, prueba y error, experiencia; a estos artistas que diseñan les va tan bien que pasan de artistas a diseñadores. Todos tienen una fase en que ven el diseño como arte pero cuando el trabajo los abruma, y los clientes “siempre tienen la razón”, caen en cuenta de que el diseño es un servicio más y de que ellos se han convertido en proveedores de soluciones, no de enigmas; lo que comenzó siendo una estrategia temporal deautomecenazgo —el diseño para pagar el arte—, terminó siendo un trabajo perpetuo donde todas las licencias creativas del arte van a parar al diseño. De vez en cuando estos artistas diseñadores les toca hacer un catálogo de arte o un trabajo para un museo de arte y cuando entran de nuevo en contacto con la gente del arte, agradecen vivir del diseño, incluso extrañan a sus clientes habituales. Es raro pero no inusual que por algún rezago estético estos diseñadores recuerden esa cosa inútil y anodina llamada arte, pero pronto lo urgente los trae de nuevo al presente.

Otro artista emigró y montó una carpintería en un país de donde tenía nacionalidad, antes hacía instalaciones sonoras efímeras, hoy instala pisos de madera y une cada pieza con el mismo cuidado con que componía sus obras de arte.

Otro artista tuvo un hijo, abandonó el arte y se entregó a la publicidad, el servicio militar de los artistas: “los hijos son la muerte del artista y el nacimiento del publicista”.

Otros artistas viven de la dictadura de clase. Cada año los programas de arte de la universidades del país gradúan un promedio de 500 artistas, un público cautivo que necesita de un cuerpo de recreacionistas intelectuales que cumplan con la ilusión de enseñar arte. Enseñar arte puede ser el mejor trabajo para un artista, hay bastante tiempo libre para crear o “investigar” (como se refieren los artistas a lo que hacen cuando le quieren dar altura académica). A pesar de que cada vez hay más trabajo burocrático y hay que inventarse más justificaciones y comités para justificar la necesidad de los comités que justifican el arte en la universidad, ser profesor es una buena actividad para un artista. Hay que decir que un profesor de arte goza de un margen insólito de libertad, si los profesores de medicina dictaran sus clases como los profesores de arte dictan las suyas, graduarían asesinos en vez de médicos. Tarde o temprano muchos artistas, así no lo quieran, reencarnarán en profesores de arte; temprano si consiguen trabajo en un colegio, usualmente el mismo colegio donde han estudiado, o tarde cuando regresan endeudados con una maestría y descubren que para lo único práctico que sirve ese cartón de maestría de arte es para ser admitido en el proceso para calificar como profesor universitario de arte. Pero además de tener la maestría habrá que tener un doctorado y cuando todos tengan un doctorado algo más habrá que tener, el único consuelo es que mientras más grados haya que tener más necesidad de profesores de arte habrá y así tal vez haya más puestos de profesores universitarios de arte para darle clase a todos los que necesitan estudiar para tener más grados para obtener el puesto de profesor universitario de arte. También existen los profesores de talleres independientes, pero dependen del tiempo libre y la inconstancia de las señoras y pintores de fin de semana.

Otro artista vive del arte, sí, se puede vivir de eso: hay que asistir a muchos cócteles de inauguración, hay que circular y sonreír y hacer comidas y ser pródigo con las gentes del arte, con los galeristas, coleccionistas y curadores, y con sus cónyuges e hijos, y además tener un cónyuge encantador y persuasivo que muchas veces oficia comodealer porque su pareja artista “no sabe manejar la plata”. Jamás el artista que vive del arte debe hablar mal de la gente del arte en público y menos aún publicar algo malo sobre ellos. También hay que ser dúctil y decirle que sí a cuanto oferta de publicidad haya, y participar en subastas benéficas, y enviar a un testaferro que puje en la puja para que las obras se subasten bien y así elevar la cotización del precio del arte en el mercado. También hay que tener un taller y regar la voz de que hay piezas asequibles, económicas, y una vez los coleccionistas visitan el taller, atenderlos muy bien, siempre sonreír, y disponer las piezas con estrategia, de lo caro a lo barato, mostrar piezas que “ya están vendidas”, y hacer el tour de los precios con indiferencia y seguridad. Hay que soltar datos prestigiosos sobre clientes previos y sobre la cotización de las piezas en la galería. Hay que acordar con el galerista y con el dealer que obras hay que repetir y venderlas con discreción, y en la Feria de Arte montar guardia cerca al stand donde está la mercancía y para efectos de prosperidad parecer que se está ahí por pura casualidad. Hay que tener una galería por fuera del país, no importa si se trata del cuarto trasero de un bar alternativo en Berlín o de una galería meramente comercial, lo que cuenta es la internacionalización y poder dar el precio en dólares o en euros.

Otro artista optó por la doble vida —o eso es lo que se deduce de su esquizofrenia estilística—. Tiene dos tipos de obra, una que es la propia, la que no se vende, la conceptual, la efímera, la caprichosa, la que lo posiciona en el reino de las inteligencias y otra en la que da muestra de su destreza manual para hacer paisajes y caballos o fotos bonitas, o floreros bonitos, y que vende de forma anónima, o bajo un heterónimo para que no se pueda relacionar con el nombre propio y no afecte el capital reputacional. Es importante que los artistas no revelen de qué viven, sobre todo si no viven del arte, esto mantiene el mito de su independencia, de que no sirven a nadie, de que son inocentes, de que nunca serán lo suficientemente maduros para liberarse de la idea de libertad.

Otros artistas viven de la mediación artística, trabajan como asistentes en talleres, museos, galerías y espacios independientes, como cargaladrillos de artistas, curadores o galeristas, y luego, con la experiencia adquirida y una lista de contactos, se lanzan como artistas y curadores y galeristas, o simplemente dejan de ser artistas para ser curadores, galeristas o gestores culturales.

Otros aprovechan su arrojo para juntar palabras, hacer párrafos con esas palabras y firmar esos arrumes de párrafos para ofrecer textos de arte multipropósito que se cobran por el número de caracteres y que mal pagados apenas sirven para transar papel por papel, para cubrir el pago de las cuentas de los servicios públicos; a los que escriben les basta con publicar uno o dos de estos textos para hacer el papelón del “crítico de arte” y pasan a escribir en la prensa y en catálogos, basta con hacer un texto elogioso para una exposición y entregarlo a tiempo para que otros clientes quieran más textos de ese tipo, ante la presión de la demanda y el afán de complacer a la clientela es fácil pasar de provocador a prologuista, este género de textos se parece al de escribir obituarios.

Otros artistas organizan bienales y encuentros internacionales de arte para pretender recibir suficiente apoyo como para poder vivir de la bienal y de los encuentros internacionales de arte que organizan. Otros ponen una ONG de arte y viven de ofrecer servicios de asistencialismo estético a las comunidades e instituciones interesadas.

Otros artistas viven de los premios, se inscriben en cuanto concurso hay, poco importa si el dinero viene del Estado, de una caja de compensación familiar o de una multinacional, no importa si la obra hay que mostrarla en una casa crujiente contra una pared descascarada en medio de la barahúnda de otras obras o en el corredor de un edificio inteligente, lo importante es concursar con la meta de ganar. Estos premios son loterías para artistas y dado el número de artistas que concursan es posible inferir —por simple matemática— que un artista tiene más chance de ganar en una de estas loterías que en cualquier otra. Entre premio y premio, entre una convocatoria y otra, en Internet se puede descampar y solicitar ingreso a las residencias para artistas que se ofrecen a nivel global, una vez se hace una solicitud a una se tiene una matriz para hacer más solicitudes, es posible vivir de trotamundos por años saltando de una residencia a otra.

Otro artista vive de su cónyuge. En ningún momento pensó en casarse con otro artista, siempre supo que de casarse tendría que hacerlo con alguien que tuviera grandes ingresos, con una persona generosa que le solucionara esa parte mundana de la vida y así él, como artista, podría dedicar toda su energía a la economía del negocio emocional en que se embarcó al momento de decidir “hacer arte”.

Otro artista vive de oficios varios, es mesero, ayudante de chofer de bus intermunicipal, mensajero en una agencia de publicidad, es un artista sin obra, nadie lo conoce pero lleva una vida de poeta.

La mayoría de los artistas viven así.
Fonte:
http://lucasospina.blogspot.com/2011/03/de-que-vive-un-artista.html